Para quem se despediu do Brasil rumo ao Japão com pelo menos 15 mil
torcedores em Cumbica, a chegada dos campeões mundiais, na última
terça-feira, registrou presença abaixo do esperado para um time de massa
como o Corinthians.
A festa foi marcada por indefinição, mudanças de última hora e alguns
torcedores excluídos da comemoração. No aeroporto de Cumbica, em
Guarulhos, desta vez apenas 500 pessoas aguardavam os jogadores no
desembarque. Mas a expectiva era de que o desfile em trio elétrico pela
cidade de São Paulo conseguisse reunir a Fiel. Porém, entraram em campo
os desencontros, que culminaram com alterações no trajeto e o
encurtamento da festa. O resultado foi o afastamento da torcida, sendo
que quem tentou participar acabou ficando fora da celebração.
Encerrada antes do previsto por causa de cansaço dos jogadores, a
carreata foi encurtada em cerca de 1.200m. Com isso, a torcida ficou
dividida. Dos 3 mil fiéis que aguardavam na Praça Heróis da FEB, local
previsto para o fim do evento, pelo menos 1.500 não tiveram contato com a
equipe. A outra parte, quando ouviu pela imprensa que estava presente
que não veria mais os atletas, seguiu andando até o Campo de Bagatelle,
local no qual os jogadores pediram o encerramento do cortejo. Lá, cerca
de 4 mil corintianos vibraram ao ver os ídolos e o troféu da Fifa. Aos
que ficaram na Praça Heróis da FEB, restou cantar o hino do Timão que
ecoava de um carro de som participante da carreata, equipado com um
telão. Mas só este carro auxiliar chegou ao local. O trio elétrico, não.
O Corinthians parou no Campo de Bagatelle às 11h15m (horário de
Brasília) e, ao meio-dia, deixou o trio elétrico. De ônibus, os
jogadores foram para o Centro de Treinamento Joaquim Grava, onde mais
500 pessoas esperavam os campeões. Por volta de 13h, os jogadores, em
seus carros, deixaram o local, encerrando definitivamente os festejos.
Torcedores do Corinthians na praça da FEB, na terça-feira
Segundo o departamento de comunicação do Timão, o número de torcedores
não decepcionou. O argumento para a presença reduzida no aeroporto é de
que a maioria das pessoas estava no trabalho na manhã desta terça-feira.
O clube esclareceu que as mudanças no trajeto foram solicitadas pela
Polícia Militar, por questões de segurança.
Os problemas que provavelmente se refletiram na presença reduzida da
Fiel começaram na segunda-feira. Apesar de ser véspera do desembarque,
ninguém sabia exatamente onde terminaria a carreata. As informações
sobre o trajeto também foram desencontradas, com alterações durante todo
o dia, o que se repetiu nesta terça-feira, durante o desfile.
Inicialmente, foi cogitada a ida do time ao encontro do prefeito e do
governador de São Paulo, mas foram os governantes que se dirigiram ao
Timão. O governador Geraldo Alckmin estava na pista do aeroporto,
enquanto o prefeito Gilberto Kassab tirou fotos e entregou uma placa ao
elenco no quartel da Polícia Militar, localizado na Avenida Tiradentes,
onde os atletas trocaram o ônibus pelo trio elétrico.
Ainda na segunda-feira, Anhembi e até Pacaembu foram sondados como
possíveis destinos finais para a carreata, e nenhum dos locais se
confirmou. O Campo de Bagatelle, onde terminou o cortejo, era a primeira
opção no trajeto inicial, mas depois foi substituído pela Praça Heróis
da FEB. No dia seguinte, a redução no trajeto e a volta do Campo de
Bagatelle como destino final acabaram por diminuir a festa e impediram
que parte da torcida travasse contato com os campeões.
Em 2005, quando o São Paulo conquistou o Mundial e voltou, também numa
terça-feira de manhã, aproximadamente cinco mil pessoas aguardaram a
equipe do lado de fora de Cumbica. Sem problemas de logística, os
jogadores deixaram o local num trio elétrico e foram seguidos por uma
enorme multidão até a Prefeitura e o Palácio do Governo. Por último, os
tricolores chegaram ao Morumbi, por volta das 17h, e foram recebidos por
oito mil torcedores.
Nenhum comentário:
Postar um comentário