Tomí, o fantoche mascote do Corinthians na invasão do Japão
Tomí tem 23 anos. "Nasceu" dia 1º de setembro, aniversário do
Corinthians. Por onde passa, chama atenção com os olhos puxados, o largo
sorriso, que expõe os avantajados dentes e sua camiseta número 8 do
Corinthians de 1989, (homenagem ao doutor Sócrates e à Democracia
Corintiana).
Apesar de ser um fantoche, Tomí é um corintiano roxo. Presenciou os
principais momentos da história do seu clube de coração. Isso, graças ao
advogado Vanderlan Carvalho, 67 de anos, de São José dos Campos,
interior paulista, "fanático com orgulho", e que comprou o boneco como
presente no dia do nascimento de seu filho, Guilherme Donaldo Marson.
O trio Tomí, Vanderlan e Guilherme embarcou para o Japão neste fim de
semana para torcer pelo Corinthians em um dos momentos mais importantes
de sua história: a disputa do Mundial de Clubes e o possível segundo
campeonato mundial do alvinegro.
- Vai ser a primeira invasão no Japão. Haverá outras. O Tomí será o
mascote do time neste título. Sempre que vou com ele ao estádio, ele dá
sorte e os torcedores querem tirar foto, brincar com ele. É uma figuraça
- conta Vanderlan.
Idioma não é problema
No dia, em que o Corinthians viajou para o Japão, por exemplo, Tomí deu
prejuízo. No aeroporto de Cumbica, passou de mão em mão e posou para
fotos com torcedores, mas acabou com as calças rasgadas e teve de ganhar
roupas novas antes da viagem.
Caso algo semelhante aconteça no Japão, não haverá problema. O japonês
do trio já está afiado. Entre as frases decoradas, estão: Ike
Corinthians (Vai Corinthians). Além de já saber como pedir água, comida e
dizer para um taxista onde quer ir.
Vanderlan
Carvalho, advogado, com o fantoche Tomí, mascote do Corinthians no
Mundial do Japão
- Eu sei mexer só um pouco com ele, mas meu filho tem muito mais
afinidade. Ele consegue fazer a voz perfeita. Em jogos, o pessoal pede
para ele ficar imitando a voz e mexendo o Tomí
Memória corintiana
As datas não escapam da cabeça de Vanderlan. Lembra precisamente do dia
em que se tornou corintiano. Era 1º de agosto de 1956 e Vanderlan, com
10 anos, chegava de Goiânia, onde morava para tentar a vida na Capital
Paulista com sua mãe. Devido a uma ação de marketing do Corinthians,
estavam sendo distribuídas camisetas do Timão. Vanderlan gostou da
festa, se apaixonou e não largou mais o time.
O advogado também não esquece de 1977, quando o Corinthians quebrou um
jejum de 23 anos sem títulos após ganhar o Campeonato Paulista sobre a
Ponte Preta. Na ocasião, com 20 anos, Vanderlan liderou a festa em São
José dos Campos, que aconteceu na principal praça da cidade.
Mas a lembrança preferida de Vanderlan está relacionada à invasão
corintiana no Maracanã, no dia 5 de dezembro 1976, na semifinal do
Campeonato Brasileiro, contra o Fluminense. Ele afirma que foi
entrevistado uma semana antes da partida por uma rádio e que na ocasião,
foi ofendido pelo repórter, ao dizer que haveria 20 mil corintianos no
Rio de Janeiro.
- Errei por 50 mil. Foram 70 mil corintianos naquele dia e eu viajei
três dias antes com um grupo. Levamos pranchas, motos. Foi uma visão
impressionante. É algo que nunca mais vai acontecer, até porque os
estádios não têm mais capacidade para isso hoje em dia.
Acostumado a fatos históricos, Vanderlan, inclusive já tem pronta a
faixa que irá dar de presente aos japoneses após o Mundial:
"Corinthianamos o Japão. Até a próxima invasão".
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