Torcida do Corinthians recebe equipe campeã em São Paulo
Desde a manhã de domingo, o mundo estava em festa por causa da
conquista do Mundial de Clubes pelo Corinthians, com a vitória por 1 a 0
sobre o Chelsea. Os jogadores no Japão, depois na Alemanha, festejaram
muito, e os torcedores, ao menos aqueles que não puderam invadir a Ásia,
vibraram pelas ruas do Brasil. Agora, os principais personagens,
campeões e parte de sua nação de apaixonados, se encontraram em São
Paulo nas primeiras horas desta terça-feira, quando o avião tocou o solo
do Aeroporto de Cumbica, pouco depois das 7h.
Tite na comemoração do Corinthians
O governador Geraldo Alckmin recebeu os atletas na pista. Poucos
torcedores foram a Guarulhos, um pedido do clube para evitar tumulto no
local. Eram cerca de 500, muito menos do que os 15 mil que se despediram
dos ídolos no dia 3 de dezembro, no embarque para o Japão.
Chicão beija a taça do Mundial
A delegação entrou num ônibus ainda na Base Aérea e partiu rumo à
Avenida Tiradentes, na zona central da capital paulista. Lá, no quartel
da Rota, se encontraram com o prefeito Gilberto Kassab e receberam uma
placa com os seguintes dizeres:
“A cidade de São Paulo homenageia o Sport Club Corinthians Paulista
pelo bicampeonato mundial interclubes conquistado no Japão com o seu
reconhecido espírito de luta, honrando as tradições do futebol
paulistano e brasileiro”
Depois das fotos oficiais, todos subiram em um trio elétrico e
começaram o desfile pela Avenida Tiradentes. A multidão louca para ver
os atletas impressionou quem estava em cima do trio.
- Estou impressionado com o que está acontecendo. Nunca vi uma cena
assim, parar São Paulo. É o reconhecimento do torcedor e vamos comemorar
com ele - declarou o zagueiro Chicão, assim que viu a quantidade de
gente nas ruas.
No trio elétrico, liderados pelo cantor Thiaguinho, os jogadores não
resistiram e desobedeceram o pedido de Tite, que havia pregado respeito
aos rivais. Primeiro, com a ajuda do pagodeiro corintiano, Jorge
Henrique provocou o Palmeiras, rebaixado para a segunda divisão do
Campeonato Brasileiro. Depois, Sheik foi ainda mais direto. Com o
microfone em mãos, voltou a atacar o lateral-esquerdo Léo, do Santos,
que havia menosprezado a torcida corintiana no embarque do grupo para o
Japão.
- Chupa, Léo! - disparou, para delírio dos torcedores.
Ao som de "Amizade é tudo", música que embalou os momentos da equipe
desde a inédita conquista da Libertadores, o trio elétrico seguiu até a
Praça Campo de Bagatelle e parou o trânsito na região. A multidão
aumentou aos poucos e torcedores, enlouquecidos, pediram até para beijar
as mãos do goleiro Cássio, eleito pela Fifa o melhor jogador do Mundial
de Clubes e destaque da vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea, na final.
- Teve torcedor que queria pegar, beijar a minha mão. O corintiano é
fanático, é um jeito carinhoso deles de agradecer. Isso é legal. Os
torcedores merecem o título porque todos apoiaram. Eu fiquei surpreso
com tantos corintianos no Japão. Foi uma energia muito boa e ajudou
bastante o nosso time a chegar a este título. - disse o goleiro em
entrevista ao Sportv.
Mesmo ausente da festa, o peruano Paolo Guerrero não poderia ser
esquecido. Autor dos dois gols do Timão no Mundial, ele ficou na
Alemanha, de férias, e não voltou para o Brasil. Mas seus "clones"
estavam nas ruas. Muitos jovens imitaram seu corte de cabelo e fizeram
sucesso entre a multidão.
Torcedor imita o corte de cabelo do atacante Paolo Guerrero
Os atletas não se esqueceram da multidão que invadiu o Japão e lotou os
estádios de Toyota e Yokohama nas partidas contra Al Ahly e Chelsea. Os
campeões admitiram que estavam com saudade dos corintianos que ficaram
no Brasil, mas o lateral-esquerdo Fábio Santos fez questão de homenagear
quem acompanhou a equipe na Ásia.
- Estávamos com saudades, apesar de os torcedores terem feito um
esforço enorme para encher o Japão. Foram 30, 40 mil torcedores no
estádio. Estamos muito felizes de estarmos perto deles.
O cansaço dos jogadores determinou a mudança no percurso do trio
elétrico, que iria até a Praça Heróis da Feb. O veículo parou cerca de
um quilômetro antes, na Praça Campo de Bagatelle. Uma pontinha de
frustração para quem já esperava no destino final. Ali, a delegação
entrou no ônibus e, com escolta policial, seguiu para o CT Dr. Joaquim
Grava, na Rodovia Ayrton Senna. Iniciou-se mais uma corrida de
torcedores, dessa vez para a porta do local. Quando os jogadores e
comissão técnica chegaram ao centro de treinamento, foram recepcionados
por cerca de 500 corintianos, aos gritos de "bicampeão". Sheik foi até a
grade e atendeu alguns torcedores. Depois, os jogadores fizeram uma
festa reservada no CT, com os familiares.
Era o fim de uma longa e inesquecível viagem. Do Japão para a Alemanha.
Da Alemanha para o Brasil. E, para sempre, nos corações alvinegros.
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