quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Tijuana arrasa San José e dispara no grupo do Corinthians

O Tijuana segue em grande estilo sua primeira participação em uma Taça Libertadores. Jogando em casa, a equipe mexicana passou como quis pelo San José-BOL por 4 a 0, nesta terça-feira (já madrugada de quarta no Brasil) ,e lidera com 100% de aproveitamento o Grupo 5, o mesmo do Corinthians, que empatou com os bolivianos na altitude de Oruro pela primeira rodada. Castillo, Aguillar, Corona e Martínez construíram mais um triunfo do quadro local, que já surpreendera em Bogotá o colombiano Millonarios por 1 a 0 na estreia. 
 
O atrevido novato terá como próximo adversário justamente o Timão dia 6 de março, em seus domínios. Nesta quarta, no entanto, o time paulista receberá o Millonarios, com o Pacaembu de portões fechado, sanção esta mposta pela Conmebol em virtude da morte do jovem Kelvin Espada, vítima de um sinalizador atirado por um torcedor corintiano. Antes do início da partida, foi feito um minuto de silêncio em homenagem  ao boliviano tragicamente falecido na semana passada durante a partida no Jesús Bermúdez.
Tijuana 4 x 0 San José-BOL (Foto: EFE) 
Martínez e Riascos comemoram com Corona (centro) o terceiro gol na goleada do Tijuana 
 
Aproveitando o incentivo de sua animada torcida e o gramado sintético do estádio Caliente, que tornava o jogo mais rápido, o Tijuana impôs sua velocidade e abriu os trabalhos logo aos quatro minutos, Edgar Castillo tocou para Alfredo Moreno, que devolveu de calcanhar. O arremate do lateral foi certeiro, no canto direito de Carlos Lampe.

O quadro mexicano seguiu pressionando até os 20 minutos, quando tirou um pouco o pé do acelerador. A atitude acomodada dos locais animou os bolivianos, que passaram a buscar o empate. Aos 40, o brasileiro Marcelo Gomes teve tudo para igualar, mas, livre, finalizou para fora.

Na volta do intervalo, porém, o Tijuana recuperou o ímpeto e tratou logo de resolver a questão. No primeiro minuto, após cobrança de falta, o zagueiro Pablo Aguillar apareceu  sozinho e escorou de pé direito, marcando o segundo. Aos três, Fidel Martinez, uma espécie de sósia de Neymar, cruzou da esquerda e o americano Joe Corona desviou: 3 a 0.

Ainda com fome, e equipe caribenha seguiu no ataque, e fechou o placar aos 28 minutos, quando Aguillar desviou cobrança de escanteio e Martinez, também de cabeça, consolidou a nova e contundente vitória do líder do Grupo 5.

MPF-RJ pede a condenação de Emerson Sheik por contrabando

Sheik (Foto: Cahê Mota / Globoesporte.com) 
Emerson Sheik é acusado de contrabando
 
O Ministério Público Federal (MPF) do Rio pediu nesta terça-feira (26) a condenação do jogador de futebol do Corinthians Márcio Passos de Albuquerque, conhecido como Emerson Sheik, por contrabando de veículos importados. A Procuradoria da República pediu à Justiça ainda a suspensão condicional do processo contra o jogador do Fluminense, Rodrigo Oliveira de Bittencourt, o Diguinho, caso ele não tenha condenações anteriores nem responda a outros processos.

Procurado pelo G1, Emerson Sheik, por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa, informou que nas alegações finais da defesa, apresentadas em 7 de janeiro, foi sustentado que o jogador não sabia da procedência do veículo e que seria um "adquirente de boa fé, pois pagou pelo veículo, com aparência de novo, o valor de mercado". De acordo com o texto, assinado pelo advogado Ricardo Cerqueira, "seja qual for a sentença, ambas as partes poderão recorrer ao Tribunal Regional Federal” (leia a íntegra da nota abaixo).

Até a última atualização desta reportagem, o meia Diguinho não havia se pronunciado.

As alegações finais do MPF foram apresentadas à 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Emerson é acusado de contrabando por ter importado ilegalmente dois veículos usados – uma BMW X6 e um Chevrolet Camaro –, enquanto Diguinho é acusado de receptação por ter comprado de Emerson a BMW, abaixo do valor de mercado.

Condições para suspensão

A suspensão do processo contra Diguinho estaria condicionada ao réu, pelo prazo de dois anos, não se ausentar do estado do Rio por mais de 30 dias sem autorização judicial, comunicar qualquer alteração de endereço, comparecer a juízo trimestralmente para informar e justificar as suas atividades, bem como aceitar a perda do automóvel BMW e prestar serviços à comunidade por seis meses, por 16 horas por mês.

Caso não seja aceito pela Justiça Federal o benefício da suspensão condicional do processo, o procurador Sergio Luiz Pinel Dias pede a condenação de Diguinho pelo crime de receptação.

Esse benefício não foi oferecido a Emerson Sheik  porque o jogador já tem uma condenação, com sentença transitada em julgado. Além disso, segundo o MPF,  o jogador cometeu o crime de contrabando duas vezes.

As provas do contrabando de veículos usados foram colhidas durante as investigações da operação Black Ops, que desarticulou uma organização criminosa ligada à máfia dos caça-níqueis em outubro de 2011 no Rio de Janeiro. Segundo a denúncia do MPF, os carros foram importados por valores muito inferiores aos praticados no mercado, o que indicaria que o jogador Emerson Sheik tinha conhecimento da origem ilícita dos carros.

Leia a íntegra da nota enviada pela assessoria de imprensa de Emerson Sheik, assinada pelo advogado Ricardo Cerqueira: "O MPF, em 11 de dezembro de 2012, em suas alegações finais, pediu a absolvição do Emerson do crime de lavagem de dinheiro e a condenação pelo crime de contrabando. Nas alegações finais da defesa, apresentada em 07 de janeiro de 2013, nós sustentamos que o Emerson não sabia da procedência do veículo,sendo, portanto um adquirente de boa-fé, pois pagou pelo veículo, com aparência de novo, o valor de mercado, assim como tantos outros consumidores que adquiriram veículos nas mesmas circunstâncias. Seja qual for a sentença, ambas as partes poderão recorrer ao Tribunal Regional Federal."

Pela Fiel, Tite quer Timão ‘jogando para caramba’ nesta quarta

Tite no treino do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians) 
Tite cobra bom desempenho do Corinthians contra o Millonarios
 
O Corinthians encontrará um cenário completamente atípico no estádio do Pacaembu, contra o Millonarios, às 22h desta quarta-feira. Com os portões do palco fechados, por medida cautelar adotada pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), a equipe não terá o apoio vindo das arquibancadas. Independentemente do contexto, o técnico Tite fez um apelo aos seus jogadores: que deem show dentro das quatro linhas para compensar a Fiel, impedida de ver o Timão de perto. 
 
– Temos de jogar para caramba. A equipe precisa ser competitiva e disciplinada. Ir muito bem tecnicamente e saber cumprir suas funções táticas. Precisamos ser melhores que o Millonarios e merecer vencer. É isso que a torcida quer – resumiu o comandante, em entrevista coletiva na véspera da partida.

O empate por 1 a 1 com o San José, na estreia da competição continental, e a série de acontecimentos após a morte do jovem Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, deixaram o futebol de lado nos assuntos que envolviam o clube por alguns dias. O objetivo de Tite é provar que, apesar da série de cinco empates consecutivos, o Corinthians não vive um mau momento. Para isso, quer a todo custo os três pontos diante dos colombianos.

Temos de jogar para caramba. A equipe precisa ser competitiva e disciplinada. Ir muito bem tecnicamente. É isso que a torcida quer"
Tite
 
O comandante alvinegro assegurou que a tragédia que vitimou o boliviano no estádio Jesús Bermúdez, em Oruro, não influenciará o desempenho do seu time na sequência da Taça Libertadores. Ciente de que o “silêncio” no estádio do Pacaembu pode tornar as coisas mais complicadas para seus atletas, Tite disse que, em campo, sua equipe dará exemplo.

– Mais do que ficar pensando em briga, eu observo a conduta para que coisas como essa não aconteçam novamente. Quem tem responsabilidade é a Conmebol. Somos campeões da Libertadores e do mundo sendo a equipe mais disciplinada, e isso me deixa um pouco mais reconfortado – argumentou.

– Eu tenho uma responsabilidade muito grande em me voltar somente à qualidade do treinamento. Sobre o que acontece fora de campo, o Roberto (de Andrade, diretor de futebol) e o Duílio (Monteiro Alves, diretor-adjunto) esclarecem com vocês. Só digo que vamos sentir bastante falta da torcida.

Duas novidades marcam o time titular do Corinthians nesta quarta-feira: o meia Renato Augusto e o atacante Alexandre Pato entram nos lugares de Jorge Henrique e Emerson Sheik, respectivamente. Satisfeito com a evolução dos reforços corintianos para 2013, tanto no entrosamento quanto na parte física, Tite pretende adotar a mesma ideia tática utilizada na final do Mundial de Clubes, contra o Chelsea – quando os atacantes sempre se revezavam na volta para ajudar a defesa, tornando a equipe compacta sem se retrancar.

Sem Jorge Henrique, Tite relaciona 20 jogadores contra o Millonarios

Tite no treino do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians) 
Tite não poderá contar com Jorge Henrique
 
O técnico Tite relacionou 20 jogadores para o confronto com o Millonarios, da Colômbia, nesta quarta-feira, às 22h (horário de Brasília) no estádio do Pacaembu. A partida é válida pela segunda rodada da Taça Libertadores da América. Mesmo com dores no joelho, o atacante Emerson Sheik está na lista do treinador. Ele começa o jogo no banco de reservas, substituído por Alexandre Pato.

A principal ausência é a de Jorge Henrique, vetado pelo departamento médico por conta de um problema no músculo posterior da coxa direita. O jovem lateral Igor, recém-promovido das categorias de base, foi relacionado por Tite. Com o revezamento de goleiros aparentemente retomado, Danilo Fernandes será o reserva de Cássio nesta quarta.

Veja a lista de relacionados para a partida:

Goleiros: Cássio e Danilo Fernandes
Laterais: Alessandro, Fábio Santos, Edenílson e Igor
Zagueiros: Gil, Paulo André e Felipe
Volantes: Ralf, Paulinho e Guilherme
Meias: Danilo, Renato Augusto e Douglas
Atacantes: Alexandre Pato, Paolo Guerrero, Romarinho e Emerson Sheik

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Diretor do Timão cobra Conmebol: 'Tem de morrer alguém para punir?'

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Roberto de Andrade Corinthians (Foto: Rodrigo Faber) 
Dirigente criticou estrutura encontrata pelo Corinthians na cidade de Oruro
 
O clima esquentou entre Corinthians e Confederação Sul-Americana de Futebol na tarde desta terça-feira. Depois de ver a entidade manter a punição preventiva ao clube, que terá de atuar com portões fechados na Libertadores até que o caso da morte do torcedor boliviano em Oruro seja julgado, o diretor de futebol do Timão, Roberto de Andrade, fez duras críticas ao comando da Conmebol. 
 
Apesar de acatar a decisão preliminar da entidade, o dirigente questionou o critério adotado na punição ao clube. Fora de campo, uma torcedora entrou na Justiça com uma ação cautelar contra a confederação sul-americana e tenta liminar para entrar no Pacaembu.

Antes de começar a entrevista coletiva no CT Joaquim Grava, que contou também com a presença do gerente de futebol Edu Gaspar e do diretor adjunto de futebol Duílio Monteiro Alves, o dirigente, visivelmente nervoso com o assunto, fez um comunicado aos jornalistas.

– Todos viram no jogo o que aconteceu. O Corinthians foi punido. Não corro disso. O regulamento é muito claro. Se os torcedores entrarem em campo com sinalizadores, pode haver punições. Mas o estádio inteiro tinha sinalizadores. Por que as autoridades locais não tomaram providencias? – questionou o dirigente.
Roberto de Andrade Corinthians (Foto: Rodrigo Faber) 
Dirigente mostra imagens de torcedores usando sinalizadores em outros jogos
 
No relato feito pelo dirigente nesta terça-feira, o corintiano falou da estrutura precária encontrada pelo Corinthians na cidade de Oruro, na Bolívia, e mostrou imagens da partida entre Deportivo Lara e Newell's Old Boys, pela Libertadores, em que torcedores utilizaram diversos sinalizadores na arquibancada.

O regulamento é claro, não fala em morte, fala em acender sinalizadores. Estamos sendo punidos pela consequência"
Roberto de Andrade
 
– Tudo isso foi porque foi aceso o sinalizador. A morte foi a consequência. Se nós pegarmos as imagens aqui, todos os jogos que antecederam o nosso e posteriores ao nosso, o estádio todo com sinalizador. Tem que morrer alguém pra punir? – declarou.

– Queremos exigir que a Conmebol cumpra o regulamento. Se está sendo válido para o Corinthians, tem de ser válido para os outros. O estádio do Millonarios, que teve jogo no dia seguinte, consta tudo no mesmo artigo que o Corinthians foi finalizado. Só vai punir se alguém morrer? O regulamento é claro, não fala em morte, fala em acender sinalizadores. Estamos sendo punidos pela consequência. Até quando vamos ver essas coisas acontecerem e ficar quietos? – completou, que também citou as partidas entre Atlético-MG e São Paulo e Fluminense e Grêmio entre os jogos em que torcedores usaram sinalizadores.

A postura oficial do Corinthians agora é de questionar publicamente e cobrar mudanças da Conmebol. O clube considera injusta a punição preventiva dada ao clube por causa da morte do torcedor boliviano no estádio Jesús Bermudez, em Oruro.

– É logico que estamos tristes, mas a medida não precisa esperar morte de ninguém. A Conmebol é responsável pelo evento. O Corinthians era visitante do San José. Graças a Deus que era sinalizador. E se fosse granada? Tinha entrado também – disse Roberto de Andrade nesta terça-feira.

Corinthians vai indenizar torcedores que já tinham comprado ingressos

A Conmebol tem o prazo de 60 dias para julgar o caso da morte do torcedor boliviano na partida entre San José e Corinthians, na última quarta-feira. Até lá, o Timão será obrigado a atuar com portões fechados em todos os jogos como mandante na Libertadores, e não poderá ter torcedores nas partidas como visitante.
 
A diretoria alvinegra já havia vendido antecipadamente cerca de 83 mil ingressos para os jogos da fase de grupos da competição continental. Agora, o clube irá devolver o dinheiro ou disponibilizará crédito aos torcedores através do programa de sócio-torcedor do Timão.

– Como a notícia chegou hoje, eu peço que todos os torcedores entrem em contato com o clube. Temos duas maneiras: sócio-torcedor pode utilizar o crédito como dinheiro para outros jogos, abatendo no valor para outros jogos. Quem quiser o dinheiro de volta, será devolvido – declarou Roberto de Andrade.

Antes da entrevista coletiva, o dirigente já havia emitido uma mensagem aos seus seguidores em uma rede social, pedindo para que os corintianos não compareçam na região do Pacaembu nesta quarta-feira, antes e durante o duelo contra o Millonarios.

– Amanhã tem Corinthians no Pacaembu em luta pelo bi na Libertadores! Caros torcedores e apaixonados pelo Timão, pedimos que evitem ir até o estádio pois os portões estarão fechados e não haverá qualquer modo de exibição da partida do lado de fora! Vamos torcer de qualquer outro lugar com a mesma emoção e vibração. Temos certeza que dentro de campo o time receberá nossa energia positiva. Vai, Corinthians – escreveu.

Barrado, Sheik explica em nota atraso a dois treinos consecutivos

Sheik Emerson Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr / Agência Corinthians) 
Emerson Sheik, em treino do Corinthians, no CT
 
Barrado por Tite do time titular do Corinthians no jogo contra o Millonarios, nesta quarta-feira, às 22h, no Pacaembu, pelo Grupo 5 da Libertadores, o atacante Emerson divulgou nota criticando a imprensa pela repercussão sobre seus dois atrasos consecutivos a treinos da equipe no CT. Ele perdeu a vaga para Alexandre Pato. Clique aqui e veja a escalação.

Sheik chegou atrasado aos treinos de domingo e segunda-feira - acabou multado pela diretoria. Ele explicou os motivos que o levaram a perder parte dos treinos e reiterou, segundo a nota divulgada, "sua motivação cada vez maior em defender as cores do atual campeão mundial".

Tite conversou com o jogador e explicou a decisão de barrá-lo do time. O técnico confirmou que o atacante citou os filhos como motivo dos atrasos:

- Isso não tira o erro que ele cometeu. O jogador deve estar conosco em seu horário normal, orientado e cobrado que foi. Isso me incomodou e eu relatei a ele. A família deve estar sempre em primeiro lugar, e os filhos são sagrados, mas ele tem responsabilidade com seu clube e seu técnico - disse o treinador.

Confira a nota na íntegra

“Entendo que o papel da imprensa é de divulgar os acontecimentos e até de opinar em relação aos fatos. Porém, uso este espaço para explicar que meus últimos atrasos no início da semana aos treinos do Corinthians foram motivados por motivos familiares, conforme relatados à direção do clube. Precisei resolver um problema com meus filhos no Rio de Janeiro no domingo e na segunda, o que prejudicou meus horários. Sempre me comportei de maneira profissional no Corinthians e costumo chegar uma hora mais cedo aos treinos e ser um dos últimos a ir embora. Quero deixar bem claro que minha motivação em vestir esta camisa só aumenta a cada dia e a força desta torcida me faz ter a vontade de ganhar ainda mais títulos aqui. Estou feliz e ainda com fome de títulos no Timão, tenham certeza disso.”

Pato e Renato Augusto ganham vaga e estreiam no 'time A' do Corinthians

Alexandre Pato e Renato Augusto serão os titulares do Corinthians nesta quarta-feira, contra o Millonarios, pela Copa Libertadores, no Estádio do Pacaembu.

Este será o primeiro jogo em que o técnico Tite escolhe por escalar ao mesmo tempo os dois reforços, contratados a peso de ouro neste início de ano, em uma equipe que não é considerada mista, em um ‘time A.’

Pato, comprado por R$ 40 milhões do Milan e Renato Augusto, comprado por R$ 9,5 milhões do Bayer Leverkusen, ocupam as vagas de Jorge Henrique e Emerson. Jorge Henrique sequer treinou nesta terça com lesão no músculo posterior da coxa direita.

A situação de Emerson é mais complicada. O Sheik também tem problemas físicos, sente dores no joelho direito. Além disso, chegou atrasado nos treinos de domingo e de segunda e foi multado pelo clube.

Cássio; Alessandro, Paulo André, Gil e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Renato Augusto; Pato e Guerrero serão os titulares no duelo da segunda rodada da Libertadores.

Prass aprova punição ao Corinthians, mas cobra pena maior ao San José

Fernando Prass - Treino do Palmeiras (Foto: Eduardo Viana)

Uma semana depois de o garoto boliviano Kevin Beltran Espada, de 14 anos, morrer após ser atingido por um sinalizador na partida entre San José (BOL) e Corinthians, o Palmeiras se prepara para jogar longe do Brasil pela Libertadores, quinta, contra o Libertad (PAR). Questionado sobre a punição ao rival, que não poderá receber torcedores em nenhum de seus jogos pela competição, o goleiro palmeirense Fernando Prass concordou, mas sugeriu uma sanção ainda maior ao clube boliviano, mandante daquela partida.

- O Corinthians tem de ser punido, acho que o próprio Corinthians concorda. Mas só o Corinthians? O único culpado é o clube? Tem de ser punido quem fez, o clube e o mandante, que é o responsável pelo espetáculo. Se acontece algo em sua casa, você não é o responsável? Tem de ser punido com mais rigor do que o Corinthians - disse Prass.

Ele lembrou que atos de violência também são vistos no Brasil e disse que a impunidade é a principal causa dos problemas.

- A punição tem de existir, porque é inaceitável. No Rio, via dia de clássico com dois ou três mortos fora do estádio. Acho que algumas coisas são inevitáveis. Outras, a gente vê que vão acontecer, mas só acontece porque a impunidade é grande - acrescentou.

Lancenet

E-mail do Corinthians ‘barra’ imprensa no Pacaembu, mas confusão é logo desfeita

Um e-mail enviado pelo Corinthians causou alvoroço na imprensa paulista nesta terça-feira. No comunicado, o clube informava que, assim como os torcedores, os jornalistas não teriam acesso ao Pacaembu nesta quarta-feira, na partida entre Timão e Millonarios, pela Taça Libertadores. O jogo será realizado com portões fechados por uma decisão da Conmebol, que puniu o Corinthians pelo envolvimento de sua torcida na morte de Kevin Espada, de 14 anos. O menino foi atingido por um sinalizador no duelo com o San José, em Oruro, na Bolívia, na semana passada. 
 
Questionada pela imprensa, a assessoria do Corinthians informou que estava apenas repassando um comunicado da própria Conmebol. Segundo a Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) a administração do Pacaembu entrou em contato com a Conmebol, que esclareceu que não há qualquer proibição da entrada da imprensa no jogo.

Globo


Advogado diz que menor e mãe mudaram de casa: ‘Assustados’

O menor de idade H. A. M, de 17 anos, integrante da Gaviões da Fiel que assumiu a autoria do disparo que matou o boliviano Kevin Espada, de 14 anos, durante o jogo entre San Jose e Corinthians, na última quarta-feira, em Oruro, pela Libertadores, teve de mudar de endereço. Ameaçado, ele foi com a mãe para casa de parentes. 
 
A informação foi passada pelo advogado da torcida corintiana, Ricardo Cabral. Segundo ele, depois da repercussão do depoimento dado na Vara da Infância e da Juventude de Guarulhos, na última segunda-feira, alguns torcedores e vizinhos reconheceram o garoto, mesmo sem o rosto ter sido divulgado.

- Eles estão assustados. Ninguém esperava uma repercussão monstruosa como essa. Algumas pessoas reconheceram o menor, o acharam nas redes sociais na internet e começaram a ameaçá-lo, dizendo que o Corinthians teria de jogar sem torcida por culpa dele – contou o advogado da Gaviões.
Menor corinthians chega acompanhado do advogado (Foto: Alberto Augusto/Sigmapress/Agência Estado) 
Menor no momento em que chega na Vara da Infância 
 
A mãe de H. A. M., de 17 anos, entregador de marmita, também ficou assustada com a repercussão entre os vizinhos que reconheceram o garoto.

- Muitos torcedores o reconheceram pelo Facebook, tanto que ele tirou a página dele do ar. A mãe também ficou assustada com a reação dos vizinhos que o reconheceram depois da repercussão do caso. Tudo isso gerou um trauma para o menor e para a família – acrescentou Cabral.

Ouvido pela promotoria do Ministério Público de São Paulo, o menor H. A. M. foi liberado e até agora não se sabe da abertura de inquérito no Brasil. As informações seguem em segredo de justiça. Segundo Ricardo Cabral, o garoto pode seguir normalmente a sua vida.

- Desde que tenha autorização da mãe, ele pode viajar pelo Brasil e até para o exterior. Não há nenhum impedimento – finalizou o advogado.

Nesta terça, a Conmebol confirmou a punição ao Corinthians. O clube jogará de portões fechados na Libertadores pelos próximos 60 dias, prazo final para o julgamento do caso. Em sua defesa, o Timão contesta a punição e tenta antecipar essa decisão. Nesta quarta, às 22h, no Pacaembu, o clube encara o Millonarios.

Millonarios fará reconhecimento no Pacaembu nesta terça à noite

Hernan Torres, técnico do Millonarios (Foto: Marcelo Prado) 
Torres dirigia o Tolima na eliminação do Timão em 2011, na pré-Libertadores 
 
Pacaembu vazio. O cenário que o Millonarios vai encontrar na partida de quarta-feira, contra o Corinthians, já será conhecido na véspera. Na noite desta terça, o técnico Hernán Torres vai comandar um reconhecimento do gramado, às 19h. Será a última oportunidade de ajustar a equipe antes do duelo contra os atuais campeões. Além de examinar o estado da grama e os vestiários, é provável que haja um trabalho tático de posicionamento. Nele, Torres vai definir os titulares que vão enfrentar o Timão.

O problema na escalação está na zaga, onde Román Torres, um dos jogadores mais confiáveis do setor, está suspenso após ter sido expulso no fim da derrota por 1 a 0 para o Tijuana, na primeira rodada da Libertadores. O panamenho foi um dos jogadores mais assediados pelo Palmeiras no fim do ano passado, já que fez parte do time que eliminou os brasileiros da última edição da Copa Sul-Americana. Em seu lugar deverá entrar o uruguaio Ithurralde.

Outra mudança em relação à equipe que perdeu sua invencibilidade no Campeonato Colombiano no último fim de semana, ao ser derrotada por 1 a 0 para o Once Caldas, será a entrada do artilheiro Fredy Montero.

No treino desta terça pela manhã, no CT do São Paulo, o técnico deu ênfase nas cobranças de escanteio e faltas laterais. Ele aposta que a bola parada pode ajudar o Millonarios a sair do Pacaembu com uma vitória, mas nega que a ausência dos torcedores fará alguma diferença no resultado.

Com fama de 'durona', fiscal descarta pressão política e liberação de presos

Abigail Sada trabalha em seu escritório em Oruro (Foto: Reprodução Internet) 
Abigail Sada nega qualquer pressão diplomática ou política
 
Abigail Sada atua há 14 anos como fiscal de investigação na Bolívia. Em Oruro, ela é conhecida como uma chefe 'durona'. De suas mãos, saiu o pedido de prisão preventiva dos 12 torcedores corintianos acusados de envolvimento na morte de Kevin Espada, de 14 anos, na última quarta-feira, na partida entre Corinthians e San José. Em seu escritório, onde conta com a ajuda de duas assistentes e lida com pilhas de inquéritos, Sada recebeu com exclusividade a reportagem do "SporTV News". Apesar das manobras criadas pela defesa dos brasileiros e pela confissão de um menor de idade, no Brasil, ela negou qualquer possibilidade de liberação dos doze detidos antes do prazo. 
 
- Não aceitamos nenhuma pressão diplomática, nem política. A investigação preliminar dura 20 dias. A fase preparatória, seis meses. Depois, há um hipotético júri - disse a promotora,
Abigail Sada trabalha em seu escritório em Oruro (Foto: Reprodução Internet) 
Abigail Sada trabalha em seu escritório em Oruro
 
Apesar da larga experiência em processos de homicídios, é a primeira vez que Sada trabalha com brasileiros. A confissão de um menor de idade, torcedor de uma organizada do Corinthians, em São Paulo, como autor do disparo que vitimou Kevin, não a surpreendeu. A fiscal afirmou que o caso levanta uma questão agravante: se o autor do crime deixou a Bolívia, podem existir outros cúmplices que também deixaram o país.

- Como saiu de Oruro, como chegou aqui? E como cooperaram para que saísse daqui? Os torcedores sabendo disso, que houve um disparo, então várias pessoas facilitaram para que esse garoto fosse embora - disse.

Autoridades bolivianas não vão enviar ao Brasil nenhum representante para investigar o caso. No país, a maioridade penal é de 16 anos. O relatório brasileiro sobre o depoimento do menor de idade ainda não foi informado oficialmente ao país.

- Qualquer pessoa que tenha conhecimento sobre esse caso precisa se apresentar à Justiça boliviana - disse Sada.

O Corinthians volta a campo nesta quarta-feira diante do Millonarios, da Colômbia, pela 2ª rodada da fase de grupos da Libertadores. O jogo será às 22h (de Brasília), com transmissão ao vivo do SporTV. Nesta terça-feira, a Conmbol negou um recurso do Timão e manteve a decisão de obrigar o clube a disputar suas partidas no torneio continental sem a presença do torcedor.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Após menor assumir culpa, presos na Bolívia recebem tratamento melhor

Após cinco dias de angústia, sem contato, apenas com informações dos meios de comunicação, Carlos Augusto Barreto finalmente conseguiu conversar por telefone com o irmão, o amazonense Cleuter Barreto Barros, de 24 anos, um dos corintianos indiciados por autoria do disparo que matou o torcedor boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, durante o jogo entre San José e Corinthians, na quarta-feira (20), em Oruro.
Irmão de amazonense preso na Bolívia (Foto: Reprodução/TV Amazonas) 
Irmão de amazonense preso na Bolívia liga para o presídio 
 
A ligação, feita da sede da Rede Amazônica (afiliada da Rede Globo) com autorização dos policiais bolivianos, foi realizada na tarde desta segunda-feira, para o presídio de Oruro. O corintiano conhecido como "Manaus" disse que estava recebendo tratamento melhor depois que o menor H. A. M., de 17 anos, se apresentou em São Paulo como autor do disparo do sinalizador.

- Depois que ficamos sabendo que esse garoto se entregou em São Paulo, a situação da gente melhorou aqui. Os bolivianos não chamam mais a gente de assassinos. Agora eles viram que encontraram o verdadeiro culpado e nós somos inocentes. As pessoas daqui trazem água, refrigerante, bolacha, janta - explicou Cleuter.
Cleuter Barreto Barros corintiano preso (Foto: Reprodução) 
Cleuter Barreto Barros é um dos corintianos presos na Bolívia 
 
Segundo ele, quando foi levado para a delegacia, após início do segundo tempo, os policiais deram alguns documentos para eles assinarem e não permitiram que soubesse o que era.

- No intervalo do jogo pegaram três. Depois de uns 15 minutos eu e mais três. Lá na delegacia, queríamos um intérprete para ler o que eles (policiais) deram para a gente assinar, mas eles não permitiram. Aí assinamos porque tinha alguns caras encapuzados e ficamos com medo de morrer - declarou.

Alívio

Para Carlos Barreto, falar com o irmão significa um alívio. Ele explicou que só de ouvir a voz de Cleuter já o traquiliza.

- É uma emoção muito forte ouvir do meu irmão e saber que ele está bem. Fiquei mais tranquilo quando ele disse que o povo boliviano  não os vê mais como assassinos - ressaltou.

PM tem planos para jogo do Timão com portões abertos ou fechados

Fila no Pacaembu (Foto: Carlos Augusto Ferrari / Globoesporte.com) 
Polícia se prepara para conter torcida no estádio
 
Uma reunião na tarde desta segunda-feira definiu planejamentos para o jogo do Corinthians contra o Millonarios, na quarta-feira, no Pacaembu. O 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo se prepara para dois cenários. Na última quinta-feira, a Conmebol, por meio de uma medida cautelar, determinou que todos os jogos do Timão como mandante até o fim da Libertadores tenham portões fechados, em razão da morte do garoto boliviano Kevin Espada, de 14 anos, atingido por um sinalizador naval disparado por um torcedor do Corinthians durante o empate contra o San José, em Oruro.

No dia seguinte, o departamento jurídico do clube brasileiro enviou sua defesa, e a Conmebol poderia responder nesta segunda se manteria ou não a punição, o que até agora não ocorreu. Ainda sem a certeza de que a torcida alvinegra poderá ocupar seus lugares dentro do estádio, a polícia esboçou dois planejamentos. O mais trabalhoso será conter o público caso os portões realmente estejam fechados.

- Normalmente há um esquema de prevenção para que não haja aglomeração, principalmente próximos aos portões. É possível que seja feita uma área de segurança, um cinturão, que isole os portões e mantenha as pessoas afastadas. É uma técnica que se usa - explicou o Coronel Marcos Marinho, responsável pela segurança nos estádios da Federação Paulista de Futebol.

Há uma promessa, principalmente das torcidas organizadas, de comparecerem à Praça Charles Miller, em frente ao portão principal do Pacaembu, para apoiarem do lado de fora a equipe contra os colombianos se a decisão não for alterada. Cerca de 30 mil ingressos já haviam sido vendidos por antecipação. O Corinthians promete devolver o dinheiro se os torcedores não puderem assistir à partida, mas confiam que a entidade aceitará sua defesa.

O esforço da polícia será para manter o grande contingente de pessoas longe do estádio. Haverá reforço da cavalaria, tropa de choque, e maior atenção no monitoramento das pessoas nas áreas próximas ao Pacaembu.

Caso a Conmebol permita ao Corinthians receber seus torcedores, o planejamento será o padrão, já utilizado em partidas desse porte. O Coronel Marinho afirmou que jogos da equipe pela Libertadores normalmente já exigem um cuidado maior, mas, em sua opinião, a morte do garoto boliviano não vai alterar nenhum processo feito habitualmente, nem mesmo a revista dos policiais para impedir que artefatos como o sinalizador naval que matou Kevin entrem no local.

- O serviço que fazemos hoje já prevê cuidado com relação a esse negócio de fogos, a não ser um material muito pequeno, sem poder de risco. É o mesmo esquema que usamos. Muda com portões fechados, aí preocupa mais.

Reunião na CBF extingue clássicos nas últimas rodadas do Brasileirão

reunião dos presidentes dos clubes na CBF (Foto: Rafael Ribeiro / CBF) 
Presidentes participaram da votação para alterações na tabela do Brasileirão 
 
O Campeonato Brasileiro não terá mais suas últimas rodadas destinadas aos clássicos estaduais. O modelo, utilizado nos últimos dois anos, foi um dos temas de uma reunião na tarde desta segunda-feira entre o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, e os representantes de 19 clubes da Série A na sede da entidade, no Rio de Janeiro (a Portuguesa não compareceu). Colocada em votação, a ideia foi reprovada pela maioria dos votos (11 a 8) e não fará mais parte da tabela nacional a partir deste ano. Outra mudança será que só na última rodada todos os jogos serão no mesmo horário (antes, isso era aplicado nas duas rodadas finais).

- O Vasco votou a favor (da extinção) e houve um consenso de que não haja mais clássicos em sequência no fim do Brasileiro. Pode até acontecer um, mas não achamos produtivo como está. Então, isso acabou - explicou o presidente do Vasco, Roberto Dinamite, que esteve na reunião.

Um dos motivos para a decisão foi o maior policiamento necessário para cobrir dois jogos simultâneos na mesma cidade. O modelo com clássicos na reta final foi instituído pela CBF em 2011 para evitar que os jogos das últimas duas rodadas percam emoção quando um clube se tornar campeão antecipadamente. Além disso, evitar que uma equipe sem ambições no fim do torneio não leve a sério um jogo contra um postulante ao título ou a uma vaga na Libertadores.

Notadamente, casos que chamaram a atenção aconteceram em 2009 e 2010. Com o Flamengo dependendo de uma vitória sobre o Grêmio na última rodada, em 2009, o time gaúcho escalou  reservas para o confronto no Maracanã. Se o Grêmio ao menos empatasse aquele jogo, o campeão seria o arquirrival Internacional. Ao fim dos 90 minutos, o Flamengo suou muito, mas venceu por 2 a 1, de virada, e ficou com a taça.

No ano seguinte, o Fluminense, que disputava o título ponto a ponto com o Corinthians, enfrentou e venceu nas últimas rodadas, fora de casa, os desinteressados Palmeiras e São Paulo. O derradeiro rival foi o já rebaixado Guarani, que mandou a campo um time de reservas. A vitória do Flu foi muito difícil, por 1 a 0, e valeu o título.

Morte de boliviano tira sinalizadores do comércio no centro de São Paulo

Reportagem procura sinalizador na 25 de Março (Foto: GLOBOESPORTE.COM) 
Sinalizadores sumiram do mercado na Rua 25 de Março, em São Paulo 
 
Antes de se apresentar à Vara da Infância e da Juventude, no centro de Guarulhos, o adolescente H. A. M. disse em entrevista ao Fantástico que comprou seis sinalizadores, entre eles o que teria sido acidentalmente disparado contra o garoto Kevin Espada, na Rua 25 de Março, principal região do comércio popular da cidade de São Paulo. Segundo o advogado Ricardo Cabral, que representa a Gaviões da Fiel e o menor que confessou a culpa, os artefatos custaram 25 reais e foram comprados de um vendedor ambulante.

A reportagem do GLOBOESPORTE.COM esteve na mesma rua, na manhã desta segunda-feira, e a palavra "sinalizador" causou arrepios nos camelôs, e mesmo nas lojas e galerias do local. Ninguém quis se identificar, temerosos com a repercussão do caso envolvendo a torcida do Corinthians, e a grande maioria negou a existência de objetos do tipo.

- Sinalizador? Quer me complicar, rapaz? Isso já deu muito problema - respondeu um homem.

Uma mulher, entretanto, também sem se identificar, foi mais sincera, e admitiu que era possível encontrar artefatos semelhantes ou idênticos ao que foi utilizado no estádio em Oruro, durante a partida da equipe brasileira contra o San José.

- Depois que o menino disse aquilo, as lojas e os ambulantes tiraram do mercado, mas isso é vendido, sim, na 25 de Março - afirmou.

Segundo Cabral, há a possibilidade de os sinalizadores terem sido comprados com o prazo de validade vencido, já que custaram um preço bem inferior ao de mercado. Não há nota fiscal, tampouco outra prova de que foi o menor quem fez a compra, de acordo com o advogado, por ter sido um negócio feito com um ambulante. Em sua versão, nenhum dos sinalizadores apreendidos pela polícia boliviana no estádio pertencem aos 12 torcedores que estão presos e indiciados em Oruro. Cabral garante que foi H. A. M. quem comprou e os levou à Bolívia.

Apelação da defesa contesta cinco pontos de inquérito contra corintianos

Menor corinthians chega acompanhado do advogado   (Foto: Werther Santana/Agência Estado) 
Menor se entrega em Guarulhos para confessar disparo
 
O advogado Miguel Blancourt apresentou, no início da tarde desta segunda-feira, a apelação à decisão do juiz cautelar Julio Huarachi Pozo de decretar a prisão preventiva dos 12 torcedores corintianos indiciados pela morte de Kevin Douglas Beltrán Espada, 14 anos. A reportagem do GLOBOESPORTE.COM teve acesso ao documento, que contesta cinco pontos considerados falhos no inquérito policial assinado pela fiscal de investigação Abigail Saba. 
 
O inquérito mostra que os 12 torcedores foram indiciados por homicídio doloso, sendo que dois deles seriam autores – Cleuter Barreto Barros e Leandro Silva de Oliveira –, enquanto os outros dez ficaram na condição de cúmplices. Este é o primeiro ponto contestado pela apelação: “É impossível fazer com que 12 pessoas sejam responsáveis pelo lançamento de um único artefato”, diz o documento.

Os outros quatro pontos apontados como possíveis contradições do inquérito são os seguintes:
- De acordo com a lei boliviana, os depoimentos dos acusados precisam ser tomados por quem está lhes acusando. No caso, a fiscal de investigação Abigail Saba. No entanto, quem ouviu os 12 torcedores corintianos foi um assistente dela;

- Para o advogado dos presos, eles só foram encarcerados pelo fato de serem brasileiros, o que configuraria um preconceito. Para Miguel Blancourt, o único motivo da prisão foi um suposto temor de fuga dos corintianos;

- A prisão não foi em flagrante, e a princípio o advogado alega que os 12 foram levados apenas para prestarem esclarecimentos. A morte de Kevin ocorreu às 21h05m (horário local), no início do primeiro tempo do jogo entre San José e Corinthians. Os torcedores só foram levados para a delegacia uma hora depois;

- De acordo com o advogado da embaixada, Abigail Saba prometeu apresentar vídeos que provariam a participação dos torcedores no disparo do sinalizador. Na audiência, porém, foi mostrada apenas uma foto do incidente. Miguel Blancourt diz que as provas são inconsistentes.

Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Abigail Saba respondeu de forma veemente aos argumentos apontados pelo advogado que cuida dos 12 presos na Penitenciária de San Pedro. Ela tem convicção de que o juiz cautelar vai negar a apelação e que o processo vai continuar correndo normalmente.

- É um processo normal. A defesa tem direito à apelação, mas, pela minha experiência, sei que isso será negado. Há muitas questões que ainda precisamos esclarecer, e por isso o melhor é manter esses 12 brasileiros encarcerados. Não há contradições no inquérito, ele é que não está interpretando da maneira correta – disparou Saba.

Além da apelação, a defesa dos corintianos prepara provas suficientes para apresentar um pedido de reforma do inquérito, que correria paralelamente à apelação. Neste pedido de reforma, é possível incluir novos fatos – o advogado quer anexar a entrevista do menor de 17 anos que confessou o crime ao programa "Fantástico", da TV Globo, além de uma ficha do garoto, que deve chegar à Bolívia ainda nesta segunda, e de depoimentos de testemunhas. Marina Kim, esposa de um dos presos, será a primeira a dar sua versão do caso.

Paulinho prevê hostilidade fora do país: 'Vão nos chamar de assassinos'

Paulinho e Danilo treino Corinthians (Foto: José Patrício / Ag. Estado) 
Paulinho prevê hostilidade nos jogos da Taça Libertadores
 
Se a pressão sobre o Corinthians na Taça Libertadores da América já era grande pelo fato de a equipe ser a atual campeã do torneio, as coisas ficaram ainda mais complicadas após a morte de Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, tragédia que marcou a estreia do Timão neste ano, contra o San José, em Oruro. O volante Paulinho prevê mais hostilidade sobre os jogadores alvinegros nas próximas partidas fora de casa, contra Tijuana, do México, e Millonarios, da Colômbia.

No empate por 2 a 2 com o Bragantino, no último domingo, xingamentos alusivos ao episódio ocorrido na Bolívia já foram ouvidos pela delegação corintiana. Do banco de reservas, Tite se irritou com as cusparadas de torcedores adversários e com as palavras ouvidas – alguns chegaram a chamar os alvinegros de “assassinos”. Ciente das dificuldades que se aproximam, Paulinho prometeu que o elenco superará o triste acontecimento.

– Nós vamos passar por cima disso. Vai ter um sacrifício, porque vamos ser chamados de assassinos. As torcidas adversárias podem falar o que quiser, mas vamos superar. Aqui é tudo mais difícil mesmo. O Corinthians não tem mais nada para mostrar – afirmou o volante.

Nós vamos passar por cima disso. Vai ter um sacrifício, porque vamos ser chamados de assassinos. 
 
As torcidas adversárias podem falar o que quiser, mas vamos superar"
Paulinho
 
A partida desta quarta-feira, contra o Millonarios, às 22h, no estádio do Pacaembu, será com os portões fechados. A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) optou por vetar a torcida do Corinthians por 60 dias, como punição pelo episódio vivido em Oruro. Preocupado com a ausência dos alvinegros nas arquibancadas, Paulinho acredita que a dificuldade da partida aumentará ainda mais.

– Eu nunca atuei com portões fechados, mas deve ser muito difícil. Temos de ganhar esse jogo, que é super importante para nós. Trata-se de um adversário complicado, mas precisamos nos superar – analisou.

Desde a morte de Kevin, os bastidores passaram a dominar o noticiário do Corinthians. O desempenho da equipe no empate por 1 a 1 com o San José foi praticamente deixado de lado, dando lugar ao desenrolar da história envolvendo responsáveis pelo disparo do sinalizador que matou o jovem boliviano. O fato desagrada os jogadores do Timão, ainda que a sequência de cinco empates consecutivos não favoreça o time.

Por isso, Paulinho quer mais ainda o fim do jejum de vitórias na próxima quarta-feira. O volante espera que um triunfo sobre o Millonarios faça com que o foco se volte novamente para o futebol da equipe, campeã da Libertadores e do Mundial de Clubes no ano passado.

– Muita gente está esquecendo os jogos, o futebol em si. É difícil ficar batendo na mesma tecla. Nós (jogadores) procuramos não falar tanto sobre o assunto, porque não queremos nos meter. Isso não é um assunto para nós resolvermos. Devemos passar por cima de tudo e seguir a vida.

De olho no Corinthians, Millonarios treina no campo do Palmeiras

Millonarios treina no Palmeiras (Foto: Marcelo Prado) 
Adversário do Corinthians, o time colombiano treina no CT do Palmeiras
 
Adversário do Corinthians na próxima quarta-feira, pela segunda rodada do grupo 5 da Taça Libertadores da América, o Millonarios (COL) já está em solo brasileiro. A equipe comandada pelo técnico Hernan Torres desembarcou em São Paulo na hora do almoço e, na tarde desta segunda-feira, treinou na Academia de Futebol, instalações do Palmeiras. 
 
No total, 18 jogadores vieram para a capital paulista. Do elenco, a peça mais conhecida é o atacante Wason Rentería, que teve passagens por Internacional, Atlético-MG e Santos. O duelo contra o Timão é de vida ou morte para os colombianos, que perderam na estreia em casa para o Tijuana (MEX) por 1 a 0.

Vale lembrar que a partida terá início às 22h e deverá ser realizada com portões fechados, já que a equipe brasileira foi punida pela Conmebol pelos incidentes registrados no duelo contra o San José, em Oruro (BOL). O garoto Kevin Espada, de 14 anos, foi atingido por um sinalizador que partiu da torcida alvinegra e morreu a caminho do hospital. Doze torcedores seguem presos na cidade boliviana. Em São Paulo, um menor se entregou nesta terça-feira, alegando ser o autor do disparo.

De rosto coberto, menor se entrega por morte de adolescente boliviano

De rosto coberto pelo boné e pelas próprias mãos, o jovem H. A. M., de 17 anos, se apresentou na tarde desta segunda-feira na Vara da Infância e da Juventude, no centro da cidade de Guarulhos, para assumir a autoria do disparo do sinalizador que atingiu e matou o adolescente boliviano Kevin Beltrán Espada na noite da última quarta-feira, durante a partida entre Corinthians e San José, em Oruro. 
 
O adolescente apareceu na Vara da Infância no carro do advogado da Gaviões da Fiel, Ricardo Cabral, sentado no banco da frente. Acompanhado pela mãe, ele começou a dar seu depoimento por volta das 15h30 na sala da promotoria localizada no terceiro andar. Ele deve ser liberado ainda nesta segunda-feira (até as 19h). Depois de ouvir o menor, o promotor Gabriel Rodrigues Alves irá confrontar as informações para decidir qual encaminhamento dará ao caso.

Repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e curiosos se acumularam no local para esperar a chegada do jovem, que voltou ao Brasil de ônibus no último sábado. Em entrevista ao "Fantástico", no domingo, ele afirmou ser o responsável pela morte de Kevin.
Menor chega acompanhado do advogado (Foto: Leandro Canônico / GLOBOESPORTE.COM) 
Menor chega com as mãos cobrindo o rosto
 
O jovem é associado da torcida organizada há dois anos e estava na arquibancada destinada aos visitantes no estádio Jesús Bermúdez. Segundo Cabral, ele gostaria de ter se entregado na Bolívia depois que 12 corintianos foram presos, mas por estar sob responsabilidade da torcida, foi decidido que ele seria entregue à sua mãe. Havia temor por sua integridade física em caso de confissão na Bolívia.

A versão do advogado é que o garoto ficou em choque e muito preocupado após o disparo acidental do sinalizador naval. Cabral diz que o artefato foi comprado num camelô, no centro da cidade de São Paulo, e levado para a Bolívia. Ainda de acordo com o advogado, todos os objetos apreendidos eram de H. A. M..

- Aqueles sinalizadores apreendidos pertenciam ao menor brasileiro. Ele abandonou a mochila porque estava sendo hostilizado por membros da Gaviões, se afastou e depois retornou em outro lugar na arquibancada. Foi quando os policiais vieram e apreenderam mochilas, bandeiras - disse o advogado.

Em Oruro, dois torcedores foram indiciados como autores do crime por portarem sinalizadores: Cleuter Barreto Barros e Leandro Silva de Oliveira. Os outros dez estão acusados como cúmplices. A expectativa da Gaviões é que a confissão amenize a situação dos brasileiros detidos - um deles, Tadeu Macedo Andrade, é diretor da torcida -, mas o embaixador do Brasil na Bolívia afirmou que o cenário, ao menos inicialmente, não deve ser alterado.

H. A. M. não pode ser extraditado, mas é provável que as autoridades bolivianas queiram participar da investigação, que será feita no Brasil. Ricardo Cabral afirma ter como provar que o menor foi mesmo o autor do disparo e que a confissão não se trata de uma estratégia para tentar que os torcedores sejam soltos em Oruro.

O advogado garante que ao comparar a identidade e a foto do jovem em sua ficha cadastral com a imagem ampliada do vídeo feito por uma emissora de televisão boliviana, que mostra de onde teria saído o sinalizador, não restará dúvidas que se trata de seu cliente.